Ela sempre adorou poesia, era quase sua segunda língua.
Copiava frases, sentia seu coração pipocar cada vez que lia Neruda e Clarice.
Encantava-se com Adélia e Cora. Chorava com Caio e Vinícius.
Mas seu coração batia mais forte por Rainer.
Lia e relia seus livros... e descobria coisas sobre si mesma, sobre o amor e o sofrimento, sobre a vida.
Vez ou outra arriscava-se nas palavras, escrevia mas não lia... medo de não gostar, de não ser boa o suficiente... sempre o mesmo medo...
Um dia tomou coragem e pediu para que ele lesse. Ela já havia mostrado para outras pessoas, mas parecia que a opinião dele era mais importante. Ela não sabia dizer porque, mas era assim que sentia e foi assim que fez.
Mandou por e-mail, não teve coragem de mostrar pessoalmente. Rapidamente ele respondeu, o que lhe deu uma sensação de alívio e ansiedade.
Sua resposta dizia: "sempre posso e quero ler o que vc escreve... vou ler mais um pouquinho"
E assim ela esperava, todos os dias, uma resposta, uma opinião, qualquer palavra, gesto. Nada... um enorme silêncio, vazio... talvez ela, simplesmente, não fosse boa o suficiente.