terça-feira, 8 de setembro de 2009

Os papéis - parte I - "Mãe"



"É o meu melhor papel" - ela dizia
Sempre pensou que ser mãe era o que fazia de melhor em sua vida.
De todas as funções que uma mulher pode ter, e outras que a vida impõe, tinha certeza que ser mãe era seu destino.
Acreditava que todo ser humano vem predestinado, ela certamente estava predestinada à maternidade.
Tudo era agradável quando carregava no ventre o fruto de sua missão na terra, o filho.
A barriga, o peito, o colo, as canções de ninar, a preparação para a chegada, pura mágica de quem cumpre o seu destino.
Mas na realidade ela não tinha a menor idéia do que fazer com aquela pequena incógnita, aquele animalzinho faminto e voraz que reclama seu peito e sua presença incessante e permanentemente.
"É o meu melhor papel" - era o que ela dizia.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O pijama

"O pijama é o túmulo do amor" disse Millor Fernandes.
Ele queria dar-lhe um presente, ela não sabia o que deveria escolher.
Olhava as vitrines da lojas mas nada a agradava, nada lhe chamava a atenção.
Ele deixou-a livre para escolher, podia ser qualquer coisa ou tudo. Esse era o grande problema... quando se pode ter tudo não há nada que realmente interesse.
De repente veio a idéia, entrou na loja e pediu: "pijama sem bichinhos, sem ursinhos fofos, cachorrinhos ou menininas. Apenas um pijama".
Uma, duas, três, cinco lojas e nada.
Ela queria apenas um pijama que não a deixasse parecer uma idiota. Não queria enterrar o amor nesse túmulo.
Só um pijama.