
Conheceram-se na sala de espera de um consultório qualquer. Logo de cara trocaram olhares e ali surgiu um interesse mútuo.
Ela comprometida.
Ele, solteiro convicto.
Não se falaram mais durante um bom tempo.
Por esses acasos da vida, encontraram-se um dia, numa festa infantil. Ela estava acompanhada, ele só. Olharam-se novamente de forma mais intensa, mal conseguiam disfarçar. Situação constrangedora para ela, mas tremendamente excitante para os dois. Ah, o perigo!
Naquele momento ele decidiu que conseguiria seu número a qualquer custo, e usando artimanhas que não conseguiria descrever, conseguiu seu celular. Ensaiou semanas, até que tomou coragem e discou, ela atendeu sem saber o que a esperava. Depois da surpresa, a euforia.
Conversaram horas, descobriram muitas coisas em comum e divertiram-se falando das diferenças e, no final da conversa, timidamente combinaram um encontro. Almoço, para ser mais exato, acreditaram que assim era mais seguro para ambos, apenas um inocente almoço entre amigos.
No dia marcado, ela não conseguiu. Sentia-se culpada em mentir para o namorado, então inventou um desculpa esfarrapada e não foi.
Passaram-se alguns dias e ele não se deu por vencido, ligou novamente. E. dessa vez, um pouco desilududa com atual relação, ela marcou e foi encontrá-lo. E foi uma noite linda. Falaram sobre suas vidas, expectativas, anseios e tudo dava tão certo e era tão perfeito que passaram a ver-se constantemente.
Às vezes ele parecia um pouco obsessivo, mas ela fingia que não era nada. Às vezes, ela parecia um pouco controladora, mas ele fingia que era normal. Ele tinha muitas manias, tomava vários banhos por dia, não assistia televisão, não tinha comida ou água em sua geladeira. Ela dava desculpas para o jeito dele dizendo a si mesma que ele era solteiro, sozinho, e as pessoas sozinhas sempre desenvolvem manias estranhas.
Até que um dia, um fatídico dia, ela esperava por ele na sala e, para não sentir-se só, ligou o DVD e eis que surge Celine Dion e seus agudos, caretas e micagens.
Naquele dia, naquele fatídico dia, ela resolveu fingir mais uma vez. Mas dessa vez fingiu que ele não existia.
Moral da história: "Não há amor que sobreviva à Celine Dion".

